domingo, 28 de dezembro de 2008

Os pesadelos que a Gol me faz passar

Fato, cheguei em Recife. Gostaria de dizer que não houve problemas, que a viagem foi tranquila, monótona até.

Não é bem o caso. Mais uma vez eu me fodo no tráfego aéreo brasileiro. Nada de controladores, nada de ANAC. Dessa vez a culpa foi única e exclusivamente da GOL.

O que posso dizer quanto a isso? Porra nenhuma. A GOL levou um tapinha na mão da ANAC, seguido de um "menino mal" e fica tudo por isso mesmo. Causas, motivos? Quem diabos pode dizer? A nós, passageiros, cabe somente obedecer cegamente as instruções dos funcionários engomadinhos que não sabem informar absolutamente nada.

Eu não me deixo afetar com essas coisas, tento relevar o máximo possível para não perder meu dia.

Mas quando a me alocam num hotel e me dão a chave do quarto como a que está abaixo, aí sim, começo a ficar preocupado...


Definitivamente, alguém na GOL me quer morto.

P.S.: Para quem não entendeu.

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sábado, 15 de março de 2008

Balanço da Crise de Hoje

E finalmente cheguei em casa. Agora que tenho tempo e fotos para provar o que eu venho dizendo desde Natal do ano passado, vamos começar pelo princípio.

08:40:45 Tango
Se teu vôo se perder de novo avisa, que eu chego aí mais cedo.

08:40:51 Tie Fighter
Beleza. Vou nessa agora.

08:41:16 Tango
Aê! Boa viagem!

08:41:24 Tie Fighter
Fudeu.

08:41:29 Tango
?

08:41:34 Tie Fighter
Fechou o aeroporto .

08:41:41 Tango
COMO É QUE É??

E foi assim que resolvi fazer o check out do hotel mais cedo e chegar no aeroporto ainda pela manhã. Esse amigo já estava em BH desde o dia anterior, pois o vôo tinha atrasado irrevogávelmente ontem à noite e a GOL o colocou num hotel. Iria aproveitar a chance e encontrá-lo.

Já chegando a situação estava um pouco ruim, mas não caótica como já me acostumei a encontrar. Ainda assim já pairava no ar uma estranheza conhecida. Nessa hora o site da Infraero noticiava "Movimento tranquilo nos aeroportos brasileiros". Nada mais longe da verdade. Naquele instante a bola de neve já estava rolando.

mentira_infraero

Vejam bem, eu não critico o tempo em que esperei no aeroporto. Eu sabia que era cedo e ainda assim eu fui. Mas o desenrolar não é algo que deva passar em branco.

O fato é que, algumas horas depois, já na parte da tarde, Os atrasos tomaram uma dimensão inegável. Não havia mais nenhum vôo no horário.

DSC03347

Meu vôo estava agendado para as 17:10, e nesse momento já era sabido que havia um atraso de duas horas. Ainda assim resolvi entrar no saguão de embarque, apenas para ter um déjà vu de tudo o que eu já tinha visto em outros momentos da crise:

  • Centenas de pessoas esperando nas cadeiras trabalhando, conversando ou dormindo;
  • Outras tantas no chão;
  • Mais algumas de bate-boca com os funcionários das companhias aéreas.

DSC03348 DSC03349

A situação ainda pioraria muito antes de melhorar. Melhorar para mim, quero dizer, porque outros tantos infelizes continuam presos naquele aeroportos e outros (sei que a situação do Rio parece estar ainda pior). Pois piorou tanto que resolvi fotografar outra vez o painel, pois isso não é coisa que se vê todo dia. Na verdade, eu nunca tinha visto nessa escala antes.

DSC03351

Eventualmente consegui embarcar, com exatas quatro horas de atraso. Mais um minuto e eu teria exigido refeição da GOL.

No final das contas o que eu passei não foi a pior crise que já enfrentei e, comparando com outras pessoas, eu tive até sorte.

Espero que isso seja suficiente para provar como eu estava certo. Todos vinham dizendo que a Crise do Apagão Aéreo havia acabado, mas não, ela estava incubada. Num período de armistício, por assim dizer. E vai continuar assim, como uma doença que sempre volta enquanto não for tratada da forma que deve, com investimentos do governo.

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sexta-feira, 14 de março de 2008

Ao vivo da crise aérea. De novo.

Okay, a situação já se definiu. Estou definitivamente no meio de outra crise recorrente do apagão aéreo brasileiro. O que começou incerto, e a certeza é a de que muita gente não vai chegar em casa hoje.

Tenho algumas fotos (uma especial muito boa do painel de informações de vôos) e descreverei a situação no próximo post.

É a segunda vez que fico preso em Confins.

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Saguão de embarque e sala de encontros

E mais um instantâneo do momento, estamos cá em Confins/MG, um dos aeroportos mais distantes de sua área de abrangência do país, fugido do cliente e de seus problemas internos e esperando um vôo que sairá daqui a 6 horas.

Eu poderia ter ficado até meio-dia no hotel antes do check out, mas assim que acordei um amigo de longa data veio falar comigo pelo infame MSN (eu prefiro Google Talk): ele estava em Confins, preso no aeroporto com o vôo atrasado. Alguns minutos depois ele me diz que acabou de ouvir que o aeroporto estava fechado para pousos e decolagens.

Fiz o check out e vim, numa corrida de táxi de 80 paus.

Ultimamente tem sido difícil encontrar os amigos para um chopp, mas curiosamente os aeroportos têm colaborado um pouco. Não é com frequência, mas já mais de duas vezes que encontro colegas em saguão de embarque. Sempre é muito corrido e geralmente no meio de uma conexão, mas serve para trocar duas palavras com quem você não vê a mais de 2 anos.

Pouco tempo atrás o aeroporto reabriu, o vôo desentupiu e ele reembarcou, rumo à terrinha.

Portanto, caro conhecido, se você está de viagem por aí, cheque meu status no Google Talk/MSN/Skype. Sempre indico minha localização geográfica nos mesmos. (E fica a dica para quem viaja muito, fazer o mesmo. Evita problemas como "vamos tomar uma?" "cara, eu tô no Acre...".)

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sábado, 2 de fevereiro de 2008

Ao vivo de Viracopos

Bom dia amigos do FBW! Estamos falando ao vivo, diretamente do aeroporto de Viracopos, Campinas/SP com a últimas notícias do movimento aéreo no Brasil neste feriado.

Okay, agora é serio.

O aeroporto está vazio. Poquíssimas pessoas para embarcar, porém não significa que o movimento está pouco. Na entrada tinham trocentos taxis o que, em geral, é um mal sinal para quem vai viajar.

Também, durante meu check in foi impossível arrumar um assento de janela ou corredor. Só tinha meio, o que prova que o vôo (os vôos, já que também tem uma conexão no mesmo estado) está lotado.

Não há previsão de atraso até agora, o que me deixa relativamente tranquilo. Não me incomodo de atrasar quando viajo a serviço, mas perder valiosas horas de lazer é osso.

Update: comecei a escrever este post em Viracopos e estou finalizando em Guarulhos. Os vôos também aqui parecem estar saindo na hora. Porém vi um grupo de pessoas que comemorou quando seu vôo foi chamado agora a pouco. Mais receio.

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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Crise Aérea - Cobertura ao vivo

Dois instantâneos no mesmo dia, sinal de que tem algo no ar, e não são os aviões comerciais. Estes estão muito bem estacionados em terra, porque, como e disse antes, a crise aérea não acabou.

Neste momento encontro-me no assento 4A do vôo TAM 9512, que deveria ter partido do Rio de Janeiro cerca de 40 minutos atrás e ainda deve atrasar mais 30.

O motivo: uma frente fria está causando transtornos em São Paulo e Rio, o que parece que obrigou Congonhas a fechar (de novo). Com isso, efeito cascata e atrasos no país inteiro.

Digo "parece" porque vocês que estão do lado de fora da aeronave sabem mais que a gente. Tudo o que é dito pelo sistema de som, com vozes polidas, bonitas e frias como um cubo de gelo seco é vago. Não se confirma nada, mas também não se desconfirma. São migalhas de informação para não morrermos de fome. Temos que ler as entrelinhas, e não tem nada agradável lá.

"Estamos esperando autorização do controle para a decolagem."
"Esperando o tráfego aéreo, pois o aeroporto de São Paulo está fechado"
"Não se tem uma previsão de atraso, mas não acredito durar mais que meia-hora".

Neste momento a aeronave à nossa direita está no push-back. Somos os próximos, espero que não demore muito mais.

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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Voando no meio da tempestade da Crise Aérea

A Crise Aérea (que neste exato instante está em um armistício, mas não acabou) já bagunçou os planos de muita gente, e eu não tenho tanta sorte (sorte alguma?) a ponto de passar imune.

Desde que o estado de sítio foi oficialmente anunciado (quando do acidente com o Legacy e o vôo 1907 da Gol em que tentaram fazer os controladores de tráfego de bodes expiatórios) pouco mais de um ano atrás eu já fui pego no turbilhão 5 vezes. A maioria foi de pequenos atrasos (até 4h), mas em dois especificamente foi preciso um pouco mais de paciência.

O primeiro foi na Terça-Feira Negra, Natal de 2006. Meu vôo, no dia 22 de Dezembro fazia uma conexão em Confins/MG. Chegando lá já sabíamos que a situação estava caótica. Pessoas dormindo em qualquer espaço de chão mais confortável, alguns tumultos aqui e ali, o cenário que dos jornais, só que em 360º. Não costumo deixar que pequenas coisas me tirem do sério, não importa quão grandes elas sejam. Após circular durante duas horas, sem perspectiva de embarque, arrumei um pedaço de chão eu mesmo e, com a mochila como travesseiro, dormi. Cheguei em casa com 12h de atraso.

A segunda vez foi em julho desse ano, começando em Vira-Copos, Campinas/SP. O pátio das aeronaves nunca esteve tão cheio, mas ainda assim não pudemos embarcar. Motivo: todos os tripulantes estavam com 12h de jornada e não poderiam entrar em outro vôo enquanto não descansassem.

Dessa vez o caos foi maior, houveram pessoas gritando com os funcionários e à beira de agressões físicas. A TAM resolveu alocar algumas pessoas para hotéis nas imediações, mas logo depois acenou que uma solução se daria ainda na mesma noite. Enquanto isso, nos pagaria uma refeição.

Neste momento percebi que algumas pessoas estavam pegando chopp ao invés do habitual refri ou suco de qualquer coisa. Troquei minha coca por uma loira e fui ao encontro desse povo. Ali estavam pessoas que, em suas cabeças, disserem "não vou me estressar hoje". Desenvolveu-se então um papo bastante animado, piadas, conversas de mesa de bar entre completos estranhos reféns de uma situação que não poderia ser chamada de comum.

Até o momento do embarque, 3h depois éramos uma mesa gigantesca de gente fazendo revezamento na compra dos chopps. Sim, por que até o pessoal que estava ameaçando de morte o funcionário da companhia aérea se juntou a nós.

No final das contas, chegando em BSB, nos despedimos. Eles já sabiam que Brasília não era meu destino final, apenas uma conexão que já tinha virado história, e fizeram um convite tragicômico: se eu ainda estivesse em BSB no final daquele dia, que ligasse para jantarmos.

No final da história a TAM nos colocou em hotéis e eu embarcaria para meu destino final até as 11h da manhã, chegando em Recife com 16h de atraso.

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