domingo, 28 de dezembro de 2008

Os pesadelos que a Gol me faz passar

Fato, cheguei em Recife. Gostaria de dizer que não houve problemas, que a viagem foi tranquila, monótona até.

Não é bem o caso. Mais uma vez eu me fodo no tráfego aéreo brasileiro. Nada de controladores, nada de ANAC. Dessa vez a culpa foi única e exclusivamente da GOL.

O que posso dizer quanto a isso? Porra nenhuma. A GOL levou um tapinha na mão da ANAC, seguido de um "menino mal" e fica tudo por isso mesmo. Causas, motivos? Quem diabos pode dizer? A nós, passageiros, cabe somente obedecer cegamente as instruções dos funcionários engomadinhos que não sabem informar absolutamente nada.

Eu não me deixo afetar com essas coisas, tento relevar o máximo possível para não perder meu dia.

Mas quando a me alocam num hotel e me dão a chave do quarto como a que está abaixo, aí sim, começo a ficar preocupado...


Definitivamente, alguém na GOL me quer morto.

P.S.: Para quem não entendeu.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Oktoberfest übber alles!

Minha segunda viagem para a Alemanha foi, novamente, profissional: treinamento em sistema de telemedição, aquela coisa toda. Isso, claro foi em teoria.

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Maß: 1L de cerveja da melhor qualidade.

Por uma agradável coincidência (e eu juro que foi coincidência), o treinamento caiu no meio da Oktoberfest, a maior festa popular (e alcoólica) do mundo. Na sexta, como se não bastasse, Feriado da Integração Nacional.

Em resumo, saímos de Regensburg na quinta e chegamos em Munique. Do hotel, direto para "Das Wiern", onde não bebemos nada, apenas olhávamos para todos os lados, maravilhados.

No dia seguinte, aí sim. Começamos tarde, a primeira Maß foi ingerida já era mais de meio-dia, dentro de uma das tendas. Mas nada iria nos preparar para o dia incrível que tivemos.

Logo de cara sentamos numa mesa com uma galera da Itália. Quando souberam que éramos brasileiros, começou a discussão sobre futebol, tudo sempre com muito bom humor. Então descobrimos um pessoal da América Latina na mesa atrás de nós. Venezuela, Argentina, México, Peru e Porto Rico. Logo em seguida eram todos estes e Brasil.

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O da esquerda é da Califórnia, o da direita é da Noruega. Outros dois são colegas do Brasil. Chapéu branco é Argentina.

Fomos de tenda em tenda, até conseguir lugar em outra, dessa vez na parte externa, onde o papo rolou solto, e onde passamos a maior parte do tempo. Neste lugar sentamos com gente da Califórnia, Noruega, Alemanha (claro), e trocentos outros países e lugares que meu estado alcoólico não permitiu guardar na lembrança.

Neste momento eu já estava completamente ébrio. Meu orgulho foi, depois de ter ouvido no dia anterior de uma amiga da empresa que visitamos "Conte quantas Maß. Cinco é respeitável.", saber de meu colega que eu tinha tomado nada menos que seis jarras. Seis litros de cerveja. E nem pense que é da mesma graduação alcoólica do chá que tomamos aqui.

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Sucesso apropriado.

Algo porém me constrangia sériamente: meu inglês estava indo muito bem, porém meu espanhol chupava. Eu não falo espanhol oficialmente, mas a comunicação é garantida após um período de adaptação, quando aprendo por imersão. Naquela ocasião, porém, eu senti algo completamente novo para mim: a incapacidade total de começar e terminar uma frase no mesmo idioma. Eu cheguei ao cúmulo de começar uma frase em espanhol, passar por inglês e terminá-la em alemão! E eu achava que era brincadeira essas histórias.

Eventualmente tivemos que ir embora. Eu posso não me lembrar de tudo o que aconteceu na querida Das Wiern, mas lembranças que tenho e a sensação de ter feito parte de algo histórico jamais me deixarão.

Ao chegar no aeroporto, 5 horas depois de sair de lá e ainda bêbado, encontro no meu casaco uma folha de papel com vários emails, MSNs, Skypes e uma caneta que não era minha. Mesmo sem lembrar como conseguia aquilo, era óbvio o que tinha acontecido.

Ao chegar em casa, tratei de escrever um email para todos, que transcrevo abaixo:

Hello friend,  

I am Gustavo, a Brazilian guy who was on Oktoberfest on München last friday 3rd. I am writing because I got your email and I am sure we did have a good conversation and a very good time.  

Unfortunatelly I can't remember who are your and what we talked about. In fact I can't even remember your name. I believe the massive amount of beer had something to do with that, but this remains to be confirmed.  

From the flashes I can recall (not many) I will list some of them here, so maybe if you are facing the same memory issues that I am this can help you out.

  • Guy to whom I wrote the lyrics of a children's song in portuguese;
  • Guys who talked about environment and destruction of the rain forest;
  • Guy from Peru that looks like a chinese;
  • Guys who saw me puking near the phonebooth.

If I have your email, that must be for a good reason, or maybe no reason after all. But I would like it very much if you could at least help me remember some of my moments on Das Wiesn.

Thank you very much.

Gustavo

P.S.: If you were in a REALLY REALLY worse state than I, you can try to find your self on one of those pictures on my web album.

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Das Wiern, eu nunca te esquecerei. E juro, te visitarei de novo no futuro.

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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Meio Bit Expo - Perigosas Constatações

Vem tarde, mas "antes tarde do que nunca".

Okay, isso foi horrível. Vamos começar de novo.

Chega um pouco tarde e a culpa é toda minha, mas finalmente em meio a tanto trabalho e cerveja (explico isso mais tarde) consegui um tempo para escrever minhas impressões do MBX.

Meu primeiro review foi feito no próprio Meio Bit, neste comentário.

O que vou falar aqui basicamente condiz com o que disse antes:

  • O evento foi ótimo, tanto do ponto de vista intelectual como social;
  • Houve um problema de tempo na parte da tarde, onde várias apresentações foram comprometidas pelo curto intervalo;
  • Eu sou bom no Rockband. Descobri uma pessoa que é melhor que eu na guitarra, mas na bateria eu ainda reino supremo;
  • A cereja do bolo foi no final: parece que não estava programado, mas no mesmo local estava acontecendo o lançamento do Yahoo! Eclipse, que acabou sendo aberto para o pessoal da Expo. Comes, bebes e música na faixa para todo mundo!

Agora, finalmente, ao assunto do título.

As apresentações na parte da tarde foram ótimas num sentido muito especial, dar a certeza absoluta de algo que eu já sentia a vários meses: estamos no meio de outra bolha.

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Produtos foram apresentados em estágios alpha (quando muito), alguns chegando até como uma simples concepção. E concepções extremamente hipotéticas, praticamente ar engarrafado.

Vamos pegar como exemplo o Mobbbi. O Mobbbi se auto-entitula um "guia da boa vida". Agora, se você não é nenhum mané que escuta mas não ouve, deve estar pensando algo parecido com "WTF?". É, foi minha reação também.

Eu serei bem franco, eu ainda não entendi o que isso quer dizer, e olha que eu visualizei bem o site e a apresentação do "serviço". Pode até ser uma ótima idéia, porém a história é implacável. Se você não estava lá na Bolha 1.0 vale lembrar que a coisa começou a descambar nesse ponto: na infindável proliferação de sites que ninguém sabia explicar 100% o que fazia.

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Em outra etapa, um pouco antes do fim, vimos a pulverização de sites de clones de serviços consolidados (até o crash, pelo menos). E hoje, o que temos? Cuil, o mais novo Google-killer, e o Videolog, apresentado na Expo como um YouTube-killer (este mesmo um ícone de uma nova bolha).

Senhores, esse filme é velho. Cuidem-se e cuidado onde colocam seu dinheiro.

Eu torço para estar errado, porque após a explosão muitos serviços foram enterrados, alguns dos quais tinham muito potencial mas acabaram com o mesmo rótulo de "vaporware" dos seus pares.

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domingo, 18 de maio de 2008

Mesa de Bar e Histórias de Viagens

E na sexta-feira passada, eu e alguns amigos fomos comemorar o dia internacional de tomar uma. No bar, trabalhando sempre em áreas que requerem viagens constantes, as histórias fluíram. Sem entrar em detalhes em uma ou outra, algumas que valem a menção:

  • Estar tão acostumado com viagens que fica com raiva quando alguém no avião começa a gritar no meio de uma turbulência, atrapalhando o seu sono;
  • Se hospedar em um hotel para depois descobrir que ele seria sede de um encontro nacional de gays, lésbicas e simpatizantes;
  • O avião ser atingido por um raio durante o vôo;
  • A avião arremeter não uma, mas DUAS vezes no mesmo aeroporto (antes de desistir e rumar para outro com melhor clima).

imageOutras mais básicas envolveram desventuras na crise aérea, pousos que mais se assemelharam a quedas, escolha do melhor assento (O meu é na janela. Não porque irei vendo a paisagem, que já encheu, mas porque se alguém quiser ir ao banheiro não vai precisar me acordar.), etc.

Pedi a outro amigo que um dia me escreva sobre o seu "causo", onde houve uma despressurização (não-explosiva, claro) da cabine, máscaras caíram, aquela coisa toda. Um dia eu publico aqui. Se um dia ele me enviar.

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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Resumo da Viagem à Alemanha

24/03 (20ºC, céu aberto)
- 21:00 - Embarcamos para Munique em Guarulhos

25/03
- 12:00 (2º, neve) - Chegamos em Munique.
- 18:00 (-1ºC, nevasca) - Chegamos em Regensburg.
- 19:30 (-1ºC neve) - Primeira cerveja na Alemanha (Weissbier) e jantar.

26/03 (-1,5ºC, neve)
- 08:30 - O fornecedor veio nos buscar no hotel e fomos para a empresa.
- 12:00 - Almoço em Walderbach. Comi carne com molho apimentado e Sauerkraut ("kraut").
- 13:00 - De volta à empresa. Atirei bolas de neve em árvores e comi gelo.
- 18:00 - De volta a Regensburg.
- 19:30 - Não fui almoçar com o chefe e o fornecedor, estava meio enjoado (talvez o kraut).
- 20:30 - O enjôo passou, fui andar sozinho em Regensburg e fazer algumas compras.
- 21:30 - Encontrei um pub irlandês e fui tomar uma cerveja.
- 22:30 - Conheci um cara de Gales (Andrew) e tomei mais algumas cervejas.
- 23:?? - O chefe e o fornecedor me encontram na frente do pub com o Andrew enquanto fumava um cigarro. Vão para o hotel e eu continuo bebendo.
- 23:?? - Uma turma de alemães (Sabine, Thomas e Karl) vem conversar com a gente porque estávamos falando inglês.
- 00:?? - Os alemães nos convidam para sentar à mesa com eles.
Encontramos mais alemães, amigos dos primeiros. Mais cerveja: guinness, alles e weissbier.
- ??:?? - Os alemães nos convidam para ir a uma danceteria. Concordamos.
- ??:?? - Vamos a um bar, beber mais uma cerveja para ganhar entrada grátis na danceteria.
- ??:?? - Vamos à danceteria "Zarat Zat Zat".
- ??:?? - Começo a tomar Red Bull ao invés de cerveja, já em contenção de danos.
- 03:?? - Saímos da Zarat Zat Zat. Nos despedimos dos alemães. Despeço-me do Andrew. Vou para o hotel.
- 04:00 - Durmo.

27/03 (2ºC, céu aberto)
- 08:00 - Vamos à empresa de novo, o fornecedor vem nos buscar no hotel. Fazemos o check out.
- 12:00 - Almoço em Walderbach. Dessa vez sem cerveja e outro prato (leitão). A neve já estava quase toda derretida.
- 13:00 - De volta à empresa. O chefe se reúne em particular com o fornecedor. Eu passeio pelo bosque.
- 14:00 - Eu durmo apoiado na mesa numa sala de reuniões vazia.
- 16:00 - O chefe e o fornecedor me acordam, a reunião tinha chegado ao fim.
- 16:30 - Pegamos a estrada rumo a Munique.
- 18:00 - Chegamos ao hotel Sheraton Airport, próximo ao aeroporto de Munique. Check in.
- 19:30 - Jantamos eu e o chefe no hotel. Conversamos ainda mais sobre o novo cargo que assumirei na empresa.
- 22:00 - Durmo.

28/03 (3ºC, céu aberto)
- 07:00 - Encontro com o chefe no hall do hotel. Fazemos o check out.
- 08:00 - Entregamos o carro na Hertz.
- 09:00 - Entramos no saguão de embarque do aeroporto de Munique.
- 11:00 - Embarcamos e decolamos.
- 20:00 (25ºC, céu aberto) - Chegamos em Guarulhos, e de lá rumamos para Campinas.

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sábado, 15 de março de 2008

Balanço da Crise de Hoje

E finalmente cheguei em casa. Agora que tenho tempo e fotos para provar o que eu venho dizendo desde Natal do ano passado, vamos começar pelo princípio.

08:40:45 Tango
Se teu vôo se perder de novo avisa, que eu chego aí mais cedo.

08:40:51 Tie Fighter
Beleza. Vou nessa agora.

08:41:16 Tango
Aê! Boa viagem!

08:41:24 Tie Fighter
Fudeu.

08:41:29 Tango
?

08:41:34 Tie Fighter
Fechou o aeroporto .

08:41:41 Tango
COMO É QUE É??

E foi assim que resolvi fazer o check out do hotel mais cedo e chegar no aeroporto ainda pela manhã. Esse amigo já estava em BH desde o dia anterior, pois o vôo tinha atrasado irrevogávelmente ontem à noite e a GOL o colocou num hotel. Iria aproveitar a chance e encontrá-lo.

Já chegando a situação estava um pouco ruim, mas não caótica como já me acostumei a encontrar. Ainda assim já pairava no ar uma estranheza conhecida. Nessa hora o site da Infraero noticiava "Movimento tranquilo nos aeroportos brasileiros". Nada mais longe da verdade. Naquele instante a bola de neve já estava rolando.

mentira_infraero

Vejam bem, eu não critico o tempo em que esperei no aeroporto. Eu sabia que era cedo e ainda assim eu fui. Mas o desenrolar não é algo que deva passar em branco.

O fato é que, algumas horas depois, já na parte da tarde, Os atrasos tomaram uma dimensão inegável. Não havia mais nenhum vôo no horário.

DSC03347

Meu vôo estava agendado para as 17:10, e nesse momento já era sabido que havia um atraso de duas horas. Ainda assim resolvi entrar no saguão de embarque, apenas para ter um déjà vu de tudo o que eu já tinha visto em outros momentos da crise:

  • Centenas de pessoas esperando nas cadeiras trabalhando, conversando ou dormindo;
  • Outras tantas no chão;
  • Mais algumas de bate-boca com os funcionários das companhias aéreas.

DSC03348 DSC03349

A situação ainda pioraria muito antes de melhorar. Melhorar para mim, quero dizer, porque outros tantos infelizes continuam presos naquele aeroportos e outros (sei que a situação do Rio parece estar ainda pior). Pois piorou tanto que resolvi fotografar outra vez o painel, pois isso não é coisa que se vê todo dia. Na verdade, eu nunca tinha visto nessa escala antes.

DSC03351

Eventualmente consegui embarcar, com exatas quatro horas de atraso. Mais um minuto e eu teria exigido refeição da GOL.

No final das contas o que eu passei não foi a pior crise que já enfrentei e, comparando com outras pessoas, eu tive até sorte.

Espero que isso seja suficiente para provar como eu estava certo. Todos vinham dizendo que a Crise do Apagão Aéreo havia acabado, mas não, ela estava incubada. Num período de armistício, por assim dizer. E vai continuar assim, como uma doença que sempre volta enquanto não for tratada da forma que deve, com investimentos do governo.

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Entressafra Cultural

Pois é, sem muita movimentação por aqui, mês de janeiro paradão, nenhuma novidade no ar.

O que tem acontecido é que a maioria das minhas viagens é a trabalho e no início do ano tem essa época em que tudo está em câmera lenta, férias, prévia de carnaval e por aí vai. Para se ter uma idéia eu passei uma semana ligando para os clientes para saber quando poderíamos dar prosseguimento aos projetos. Impressionante, não? Ainda mais se for levado em consideração que eu não atendo todas as ligações telefônicas em um dia por que elas se sobrepõem.

A resposta em quase todos os casos foi (com alguma diferença nas palavras) "tá todo mundo de férias, liga depois do Carnaval".

É verdade quando dizem que o ano acaba em Dezembro, mas só começa em Fevereiro.

Claro, alguns "passeios" aconteceram, como a ida para o interior do estado, mas 1) foi de carro e 2) eu já falei o que tinha para falar dessa viagem.

E, eu sei, tenho alguns assuntos pendentes para desenvolver, como o Aeroporto do Galeão (spoiler: o mais imbecil do país) e o procedimento para emissão de visto para os EUA (o de emissão de passaporte fez sucesso).

Porém já faz algum tempo que não piso no Rio e a raiva que tenho do Galeão já está mais anestesiada. Quando eu pisar lá de novo (possivelmente na segunda metade de Fevereiro) estarei com os transtornos "quentes" para serem colocados na web.

E no caso do procedimento de vistos, infelizmente ainda não foi emitido o meu o que, obviamente, me faz incapaz de escrever sobre.

Amanhã embarco para a Terra do Sol para curtir o feriado e talvez tenha mais histórias para contar.

Ah, e não me deixem esquecer de publicar a experiência de um amigo com descompressão da cabine do avião, com direito a queda das máscaras de oxigênio e tudo o mais.

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

1200km em 4 dias

Começou na segunda-feira. Desde então rodei mais neste estado que a maioria dos paulistanos roda durante a vida toda.

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Hit The Road, Jack

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De nada a lugar nenhum

Nessa rotina de 4 dias eu estive em 4 cidades, 3 usinas hidrelétricas e hotéis de três estrelas a duas bolinhas (cinco bolinhas equivale a uma estrela).

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Mesmo quem mora no meio do nada precisa de uma diversãozinha, OK?

Cansativo, é verdade. Mas é impressionante como o cansaço vai embora quando eu chego nas usinas. Nunca foi segredo que eu sou extremamente progressista ("Amazônia? Se colocassem abaixo e pavimentassem dava um puta estacionamento 24h!") e a visão dessas obras colossais de engenharia são suficientes para arregalar meus olhos por horas.

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Não tente imaginar quantos litros de água estas paredes seguram. Se você conseguir não irá chegar nem perto delas.

Quem nunca pôde ver uma de perto (alguém aí já viu?) não faz idéia do faraonismo dessas obras, que, se eu fosse religioso, criticaria, dizendo que o homem quer fazer papel de deus. Mas, pensando bem, mudar o curso de um rio, represar milhões de litros d'água, e usar isso para fazer girar turbinas que alimentam cidades inteiras, sem contar utilizar comportas gigantescas para fazer elevadores de barcos e navios definitivamente é um ato divino.

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Elevador de navio

No finas das contas, estou de volta à terrinha, já em casa (eu tenho esse direito, OK?), escrevendo enquanto as memórias estão quentes na cabeça.

Nada disso seria possível sem o Mio, de quem falarei com detalhes no próximo post.

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domingo, 2 de dezembro de 2007

Down and Up Again!

E não que esqueci completamente de citar esse fato? Acho que não me impressiona mais, então acabei deixando de lado.

Mas só para contar a história, tive mais uma arremetida para colocar no histórico. Em meu vôo para Palmas, segunda passada.

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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Realidades Paralelas

Como falei anteriormente, é uma recompensa conhecer novos lugares. E nesta sentença incluo também os piores lugares do mundo.

Viajar é privilégio, não direito. A maioria absoluta das pessoas vive e morre sem nunca ter saído do estado, e às vezes até da cidade. Se você acha essa afirmação estapafúrdia, não conhece lugares como interior de Pernambuco (depois de Garanhuns e antes de Petrolina), interior de Goiás (especificamente Mozarlândia), a Ilha de Fernando de Noronha e outros tantos mais.

Desde que me tornei um viajante, passei a encarar a inércia psico-social causada pela rotina de uma vida no mesmo lugar como um mal. O não-conhecimento das realidades de outras pessoas nos fazem acreditar que nosso modo de vida não é o "melhor", mas sim o "único" o que por sua vez exarceba sentimentos discriminatórios, sejam sexuais, religiosos ou políticos.

E acredite, eu não acho que estou sendo extremista. Quando se viaja para um mínimo de lugares (não precisa sem ser duas vezes por semana) suficiente para aprender que existem outras realidades, todos os conceitos que você tem estabelecidos (e, por consequência, todos os pré-conceitos) ficam fragilizados. Você passa a admitir a possibilidade de estar errado, o que alguns chamariam de um grande passo espírito-evolutivo.

Sabendo que você sempre pode estar errado, passa a ouvir argumentações com mais sabedoria e paciência, porque sabe que elas podem estar certas.

footsteps

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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Air Weeks

Como dito anteriormente, vendida sua vida pessoal, bem vindo ao emprego de viagens. Algumas coisas programadas (e executadas) têm sido:

  • Uma semana em Bauru/SP, dando treinamento. Cidadezinha bem aprazível.
  • Uma semana em BHZ, neste momento, por sinal. Cheguei na segunda, parto hoje.
  • Uma semana em Palmas/TO. Embarco na segunda, volto na sexta.
  • Uma semana no interior do estado (SP). Rodando de carro por todo o Rio Tietê (nas margens, obviamente).

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E para quem estranhou o detalhe do "estado", faz dois meses que me mudei para SP. Estou vivendo agora num ótimo apartamento ainda sem cama em Campinas.

Até 2008 a agenda está cheia, mas ainda espero conseguir alguns dias de folga para poder passar do Natal ao reveillon em Recife.

Desculpem a ausência, mas como podem perceber as coisas têm estado bem corridas aqui.

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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Voando no meio da tempestade da Crise Aérea

A Crise Aérea (que neste exato instante está em um armistício, mas não acabou) já bagunçou os planos de muita gente, e eu não tenho tanta sorte (sorte alguma?) a ponto de passar imune.

Desde que o estado de sítio foi oficialmente anunciado (quando do acidente com o Legacy e o vôo 1907 da Gol em que tentaram fazer os controladores de tráfego de bodes expiatórios) pouco mais de um ano atrás eu já fui pego no turbilhão 5 vezes. A maioria foi de pequenos atrasos (até 4h), mas em dois especificamente foi preciso um pouco mais de paciência.

O primeiro foi na Terça-Feira Negra, Natal de 2006. Meu vôo, no dia 22 de Dezembro fazia uma conexão em Confins/MG. Chegando lá já sabíamos que a situação estava caótica. Pessoas dormindo em qualquer espaço de chão mais confortável, alguns tumultos aqui e ali, o cenário que dos jornais, só que em 360º. Não costumo deixar que pequenas coisas me tirem do sério, não importa quão grandes elas sejam. Após circular durante duas horas, sem perspectiva de embarque, arrumei um pedaço de chão eu mesmo e, com a mochila como travesseiro, dormi. Cheguei em casa com 12h de atraso.

A segunda vez foi em julho desse ano, começando em Vira-Copos, Campinas/SP. O pátio das aeronaves nunca esteve tão cheio, mas ainda assim não pudemos embarcar. Motivo: todos os tripulantes estavam com 12h de jornada e não poderiam entrar em outro vôo enquanto não descansassem.

Dessa vez o caos foi maior, houveram pessoas gritando com os funcionários e à beira de agressões físicas. A TAM resolveu alocar algumas pessoas para hotéis nas imediações, mas logo depois acenou que uma solução se daria ainda na mesma noite. Enquanto isso, nos pagaria uma refeição.

Neste momento percebi que algumas pessoas estavam pegando chopp ao invés do habitual refri ou suco de qualquer coisa. Troquei minha coca por uma loira e fui ao encontro desse povo. Ali estavam pessoas que, em suas cabeças, disserem "não vou me estressar hoje". Desenvolveu-se então um papo bastante animado, piadas, conversas de mesa de bar entre completos estranhos reféns de uma situação que não poderia ser chamada de comum.

Até o momento do embarque, 3h depois éramos uma mesa gigantesca de gente fazendo revezamento na compra dos chopps. Sim, por que até o pessoal que estava ameaçando de morte o funcionário da companhia aérea se juntou a nós.

No final das contas, chegando em BSB, nos despedimos. Eles já sabiam que Brasília não era meu destino final, apenas uma conexão que já tinha virado história, e fizeram um convite tragicômico: se eu ainda estivesse em BSB no final daquele dia, que ligasse para jantarmos.

No final da história a TAM nos colocou em hotéis e eu embarcaria para meu destino final até as 11h da manhã, chegando em Recife com 16h de atraso.

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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A diferença na prática entre 05:00 e 17:00

Conforme eu disse no post anterior, 05 é na manhã, 17 é de tarde, 05PM é de tarde e 05AM é de manhã. Agora o que acontece quando você mistura as coisas?

Se você é quem compra as passagens para outro infeliz pegar o vôo, nada.

Mas se você é o infeliz em questão, acalme-se e leia a história abaixo. Talvez você possa tirar boas lições dela.

Eu trabalhava em uma terceirizada da distribuidora de energia local e fui enviado para dar manutenção em um sistema de comunicação do outro lado do estado. Só havia dois vôos, um de ida, um de volta e o trabalho deveria durar um dia. A agenda ficou assim:

  1. Chegada às 04h;
  2. Partida às 05h;

Já deu pra entender o problema, não? "Você embarca e chega lá às 04h, trabalha e volta no final da tarde, às 05h", foi o que me disseram. Meu erro: não chequei as passagens.

Doze horas depois eu chego no aeroporto, para descobrir que meu vôo tinha ido embora dez horas atrás. Após algumas negociações com a VARIG, remarquei o vôo para... as 05h.

Sem o mínimo saco de voltar para a cidade e fazer outro check in no hotel de novo, resolvo passar a noite no aeroporto. Aí vem a dica: como gastar 12h num aeroporto de interior que tem menos de 50m de extensão de saguão?

As primeiras 3h foram realmente difíceis. Naquela época ainda não estava popularizado o GPRS, WiFi era um sonho distante e eu não tinha jogos no notebook. Passei o tempo lendo um livro, que tive a felicidade de levar. Algum tempo depois havia outro vôo (para meu mesmo destino, e outra companhia aérea) e o aeroporto ficou cheio (umas 12 pessoas).

As poucas lojas abriram e eu fui num café comer algo e tomar um refrigerante. De última hora me veio uma idéia ótima e a coloquei em execução: comprei uma cerveja.

E outra. E outra. E mais duas. E mais duas. E quando o café estava para fechar de novo, mais três, só pra garantir.

Enchi a cara. Depois disso foi fácil dormir até as 03h, quando começaram a chegar mais pessoas para meu vôo. Embarquei, voltei e fim de história.

A moral é velha, mas válida: nunca confie na inteligência de seus aliados, nem tão pouco na burrice dos seus inimigos.

Cheque o cartão de embarque.

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