quarta-feira, 9 de julho de 2008

De passagem

Sabe o maior problema de estar sempre viajando? É que você acaba estando em tantos lugares em tão pouco tempo que tem alguns que você nem pode dizer que conhece.

Okay, este não é o maior problema, embolia e trombose estão muito mais bem colocados nessa lista, mas vocês pegaram a idéia.

Eu tinha dois casos destes: Rio de Janeiro e Porto Alegre. Neste momento me encontro no aeroporto do segundo, após 3 dias (embriaguez inclusa) e posso afirmar que agora conheço a cidade. Minha primeira visita aqui durou exatas 10 horas, já incluso o tempo de dormir. Cheguei às 00:00, dormi até as 06:00, fiz uma apresentação e estava embarcado de novo às dez da manhã.

Super.

O caso do Rio é semelhante, até porque o tempo total que passei na cidade foram 20h, divididas em duas viagens. Pouso às 08:00, decolagem à 18:00.

Felizmente não tenho nenhum interesse em conhecer o Rio mais do que já não conheço, mas POA realmente foi ótimo poder passar de conexão para visita.

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quinta-feira, 17 de abril de 2008

Montevidéu aos meus olhos: estranho

De volta à terra brasilis, posso agora pensar um pouco sobre tudo o que vi e senti no Uruguai. Para evitar o risco das generalizações, referir-me-ei somente ao que vivenciei, e isso se resume a Montevidéu.

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Estranha. Essa é a primeira palavra que me vem à cabeça. A cidade é linda, sem dúvida, mas é impressionante como o "linda" pode mudar para "fudeuvouserassaltadoevaiseragora" apenas com algumas poucas dezenas de passos.

A diferença entre as áreas não segue um gradiente, como é o normal de se encontrar em outros lugares, mas chega a ser brutal em alguns momentos. E isso causa uma impressão interessante de que as construções são feitas "na marra", no "ou vai ou racha". Do lado de um lindo arranha-céu pode estar uma linda construção abandonada, do que seria um arranha-céu ainda maior.

Do ponto de vista do trânsito, eles fazem inveja a qualquer brasiliense: o respeito à faixa de pedestres é quase uma devoção, como se não dar preferência ao mesmo fosse punido com morte por apedrejamento. Vergonhoso para nós.

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Infelizmente no mesmo trânsito se faz também visível a diferença social. Carros novos e modernos, apesar de comuns são minoria. A grande parte se trata de veículos tipo Fiat 147 Tétano Edition (estou exagerando). Isso sem contar os que não pude classificar: Alfa Romeos, talvez Rolls Royce, legítimas carangas que poderiam ser peça de colecionador, não estivessem tão mal-tratadas. É como se não houvesse leis de itens de segurança mínimos para um veículo poder circular.

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O clima é agradabilíssimo (para mim) com temperaturas médias de 16ºC e mínimas de 6ºC à noite.

E claro, algo impossível de não notar: influência brasileira. Na moeda, no idioma, em tudo. E acredite: eles querem o MERCOSUL ainda mais que nós, brasileiros (shame again).

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Resumo: ótimo, lugar para turismo, na melhor definição de bom e barato. E você ainda será bem vindo*.

* Se você já esteve nos EUA vai entender este comentário.

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domingo, 13 de abril de 2008

Montevideo/UY

E então, cheguei em Montevidéu.

A cidade tem partes lindas, parecidas com bairros europeus. Por outro lado também tem umas regiões que se assemelham a favelas americanas. O meio-termo é o centro, que tem uma semelhança inegável com o centro de Belo Horizonte.

A corrida de táxi deu 620. Calma, pesos uruguaios, não reais ou dólares. Basicamente é só dividir qualquer preço por 10 e você chega a um resultado aproximado em reais.

Interessante ter uma nota de 1.000 dinheiros na carteira, se não parar para pensar você acha que está rico.

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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Resumo da Viagem à Alemanha

24/03 (20ºC, céu aberto)
- 21:00 - Embarcamos para Munique em Guarulhos

25/03
- 12:00 (2º, neve) - Chegamos em Munique.
- 18:00 (-1ºC, nevasca) - Chegamos em Regensburg.
- 19:30 (-1ºC neve) - Primeira cerveja na Alemanha (Weissbier) e jantar.

26/03 (-1,5ºC, neve)
- 08:30 - O fornecedor veio nos buscar no hotel e fomos para a empresa.
- 12:00 - Almoço em Walderbach. Comi carne com molho apimentado e Sauerkraut ("kraut").
- 13:00 - De volta à empresa. Atirei bolas de neve em árvores e comi gelo.
- 18:00 - De volta a Regensburg.
- 19:30 - Não fui almoçar com o chefe e o fornecedor, estava meio enjoado (talvez o kraut).
- 20:30 - O enjôo passou, fui andar sozinho em Regensburg e fazer algumas compras.
- 21:30 - Encontrei um pub irlandês e fui tomar uma cerveja.
- 22:30 - Conheci um cara de Gales (Andrew) e tomei mais algumas cervejas.
- 23:?? - O chefe e o fornecedor me encontram na frente do pub com o Andrew enquanto fumava um cigarro. Vão para o hotel e eu continuo bebendo.
- 23:?? - Uma turma de alemães (Sabine, Thomas e Karl) vem conversar com a gente porque estávamos falando inglês.
- 00:?? - Os alemães nos convidam para sentar à mesa com eles.
Encontramos mais alemães, amigos dos primeiros. Mais cerveja: guinness, alles e weissbier.
- ??:?? - Os alemães nos convidam para ir a uma danceteria. Concordamos.
- ??:?? - Vamos a um bar, beber mais uma cerveja para ganhar entrada grátis na danceteria.
- ??:?? - Vamos à danceteria "Zarat Zat Zat".
- ??:?? - Começo a tomar Red Bull ao invés de cerveja, já em contenção de danos.
- 03:?? - Saímos da Zarat Zat Zat. Nos despedimos dos alemães. Despeço-me do Andrew. Vou para o hotel.
- 04:00 - Durmo.

27/03 (2ºC, céu aberto)
- 08:00 - Vamos à empresa de novo, o fornecedor vem nos buscar no hotel. Fazemos o check out.
- 12:00 - Almoço em Walderbach. Dessa vez sem cerveja e outro prato (leitão). A neve já estava quase toda derretida.
- 13:00 - De volta à empresa. O chefe se reúne em particular com o fornecedor. Eu passeio pelo bosque.
- 14:00 - Eu durmo apoiado na mesa numa sala de reuniões vazia.
- 16:00 - O chefe e o fornecedor me acordam, a reunião tinha chegado ao fim.
- 16:30 - Pegamos a estrada rumo a Munique.
- 18:00 - Chegamos ao hotel Sheraton Airport, próximo ao aeroporto de Munique. Check in.
- 19:30 - Jantamos eu e o chefe no hotel. Conversamos ainda mais sobre o novo cargo que assumirei na empresa.
- 22:00 - Durmo.

28/03 (3ºC, céu aberto)
- 07:00 - Encontro com o chefe no hall do hotel. Fazemos o check out.
- 08:00 - Entregamos o carro na Hertz.
- 09:00 - Entramos no saguão de embarque do aeroporto de Munique.
- 11:00 - Embarcamos e decolamos.
- 20:00 (25ºC, céu aberto) - Chegamos em Guarulhos, e de lá rumamos para Campinas.

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Smoking booth

De volta à nossa programação normal depois da "entressafra" do Natal e Ano Novo. E para começarmos 2008 falaremos de uma das grandes invenções da humanidade: a cabine de fumantes.

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Talvez seja bom deixar claro que meu ponto de vista é o dos fumantes e, portanto, o prólogo afirmando a utilidade da mesma.

Esta maravilha de funcionamento simples é encontrada em pouquíssimos aeroportos no momento, um dos quais é o imbecil Aeroporto do Galeão, no Rio (mais sobre isso mais tarde).

Como um dos fumantes mais respeitadores dos direitos dos outros, concordo plenamente com a proibição de fumo em lugares públicos fechados. Infelizmente sofro com as consequências como qualquer um.

A idéia é simples: em lugares fechados, um mega exaustor de ar numa pequena cabine para 6 ou 8 pessoas no máximo. Voilá, todos saem ganhando.

Talvez os fumantes ainda mais, depois de um longo vôo de duas conexões, preso dentro de um cilindro ou de uma sala de embarque, sem um cigarro a mais de oito horas.

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

1200km em 4 dias

Começou na segunda-feira. Desde então rodei mais neste estado que a maioria dos paulistanos roda durante a vida toda.

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Hit The Road, Jack

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De nada a lugar nenhum

Nessa rotina de 4 dias eu estive em 4 cidades, 3 usinas hidrelétricas e hotéis de três estrelas a duas bolinhas (cinco bolinhas equivale a uma estrela).

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Mesmo quem mora no meio do nada precisa de uma diversãozinha, OK?

Cansativo, é verdade. Mas é impressionante como o cansaço vai embora quando eu chego nas usinas. Nunca foi segredo que eu sou extremamente progressista ("Amazônia? Se colocassem abaixo e pavimentassem dava um puta estacionamento 24h!") e a visão dessas obras colossais de engenharia são suficientes para arregalar meus olhos por horas.

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Não tente imaginar quantos litros de água estas paredes seguram. Se você conseguir não irá chegar nem perto delas.

Quem nunca pôde ver uma de perto (alguém aí já viu?) não faz idéia do faraonismo dessas obras, que, se eu fosse religioso, criticaria, dizendo que o homem quer fazer papel de deus. Mas, pensando bem, mudar o curso de um rio, represar milhões de litros d'água, e usar isso para fazer girar turbinas que alimentam cidades inteiras, sem contar utilizar comportas gigantescas para fazer elevadores de barcos e navios definitivamente é um ato divino.

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Elevador de navio

No finas das contas, estou de volta à terrinha, já em casa (eu tenho esse direito, OK?), escrevendo enquanto as memórias estão quentes na cabeça.

Nada disso seria possível sem o Mio, de quem falarei com detalhes no próximo post.

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domingo, 2 de dezembro de 2007

Como se constrói uma cidade

Palmas não é uma cidade. Não ainda. Será um dia mas, hoje, Palmas é uma planta-baixa de ruas, avenidas, loteamentos e uns poucos imóveis, aqui e ali.

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Fundada em 1989, ela será uma cidade projetada, como foi Brasília em seu tempo. Porém, dada a pouquíssima idade, é estranho andar em suas ruas vazias, sem carros, sem engarrafamentos, cheios de terrenos onde cresce uma grama alta, porém sem muros. Não há prédios, no sentido atual da palavra. Tirando o Palácio do Governo (que apesar de bonito parece também "imaturo" em sua arquitetura), não vi construções com mais que 2 ou 3 andares.

Lugares como "Av. JK Acno, Conj. 02, Lote 04205" deixam claro que a infância da cidade ainda não definiu uma numeração mais elaborada para os endereços.

Minha crítica vai somente à concepção dos arquitetos que projetaram a planta-baixa e optaram por minimizar o uso de sinais de trânsito. Palmas é uma cidade onde suas vias se cruzam através de rotatórias. Funciona bem agora, já que é mais fácil bater num poste que em outro carro, mas a história já mostrou o quanto isso é uma má idéia em cidades mais movimentadas (e que, acredito, seja o objetivo pensado para Palmas).

Ainda, as saídas e entradas das rotatórias (ou queijinhos, como chamam por aqui - não pergunte, estou tentando fazer um post sério) são muito fechadas e contra as manobras naturais do trânsito, fazendo com que o motorista sempre invada a outra faixa.

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Enfim, acredito que a cidade tem muito potencial, para o bem e para o mal. Suas áreas loteadas serão um chamariz para pessoas que quiserem recomeçar suas vidas em um lugar calmo e completo (afinal de contas, é uma capital), mas em poucas décadas a cidade será um inferno, onde dirigir será um desafio digno de mestres Jedis.

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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Realidades Paralelas

Como falei anteriormente, é uma recompensa conhecer novos lugares. E nesta sentença incluo também os piores lugares do mundo.

Viajar é privilégio, não direito. A maioria absoluta das pessoas vive e morre sem nunca ter saído do estado, e às vezes até da cidade. Se você acha essa afirmação estapafúrdia, não conhece lugares como interior de Pernambuco (depois de Garanhuns e antes de Petrolina), interior de Goiás (especificamente Mozarlândia), a Ilha de Fernando de Noronha e outros tantos mais.

Desde que me tornei um viajante, passei a encarar a inércia psico-social causada pela rotina de uma vida no mesmo lugar como um mal. O não-conhecimento das realidades de outras pessoas nos fazem acreditar que nosso modo de vida não é o "melhor", mas sim o "único" o que por sua vez exarceba sentimentos discriminatórios, sejam sexuais, religiosos ou políticos.

E acredite, eu não acho que estou sendo extremista. Quando se viaja para um mínimo de lugares (não precisa sem ser duas vezes por semana) suficiente para aprender que existem outras realidades, todos os conceitos que você tem estabelecidos (e, por consequência, todos os pré-conceitos) ficam fragilizados. Você passa a admitir a possibilidade de estar errado, o que alguns chamariam de um grande passo espírito-evolutivo.

Sabendo que você sempre pode estar errado, passa a ouvir argumentações com mais sabedoria e paciência, porque sabe que elas podem estar certas.

footsteps

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Inbound to TO...

Uma das coisas que fazem valer a pena todo o cansaço das viagens de trabalho é conhecer novos lugares. Claro, existem lugares que não deveriam ser conhecidos, mas se você observar a grande figura, pode pensar no conhecimento adquirido, que poucas pessoas podem se dar ao luxo de ter.

Dissertarei sobre isso mais tarde.

No momento o motivo deste post é, como dito anteriormente, a viagem atual, para Palmas/TO. Existem poucos estados no país onde ainda não estive, e Tocantins é um deles. Será interessante conhecer a capital do estado mais novo do Brasil. Infelizmente não deu tempo de pesquisar sobre o lugar (Costumo fazer isso. Nota mental: desenvolver) portanto vou sem nenhuma idéia do que encontrar.

Se algum leitor do Fly-By-Wire for de lá (HÁ, eu sou ótimo!), me avise e trocaremos opiniões.

Caso contrário disserto sozinho, em posts subsequentes.

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domingo, 28 de outubro de 2007

Ermos de facto

Frequentemente quando converso com amigos sobre minhas viagens me perguntam "qual o lugar mais nada-a-ver que você esteve?"

Minha resposta comum é a de que "existem lugares que não deveriam ser habitados".

A história da colonização do planeta pelo ser humano segue padrões bem definidos quanto à ocupação: proximidade com o mar, rios ou lagos, clima suportável, terra fértil, pastos vastos. Com o passar do tempo o advento de novas tecnologias flexibilizou os requisitos para uma terra colonizável, mas a teimosia do ser humano é o critério que matou, enterrou e pôs uma pá de cal em qualquer bom senso quando da habitação de algumas localidades.

Como diabos alguém mora em um lugar perto de nada, não vou discutir aqui. Mas o fato é que isso acontece, e com frequência.

Qual o lugar mais nada-a-ver que eu já estive?

Mozarlândia.

A cidade tem teoricamente algo entre 11.000 e 20.000 habitantes, dos quais eu vi 20. Não há um rio, o clima é infernal e úmido, a terra parece ácida e pedregosa e existe apenas uma estrada que dá acesso (provavelmente porque alguém foi cabeça-dura o bastante para resolver morar aqui ANTES da existência da estrada, e tiveram pena dele).

Mozarlandia

E a parte mais divertida (para vocês) da história: eu estou aqui neste exato momento.

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